
Desde cedo eu me meto em encrenca :P
Quando o Vilser perguntou como foi o primeiro beijo de casa leitor, lembrei-me de minhas primeiras vezes, inclusive do meu primeiro beijo.
Diferente um pouco da maioria dos gays, pelo menos no que eu tenho lido pelos blogs, eu não tive tanta confusão mental para ter noção do que eu era. Quando entendi o que ser gay significava, então eu já sabia o que eu era, mesmo tendo muito medo do que viria pela frente, por eu já ver como os gays eram tratados, eu não tive dúvidas, não entrei em crise nem tentei ser outra coisa. Tudo foi muito claro em minha mente.
Meu primeiro beijo para vocês terem uma idéia, já foi em um menino.
Quando eu tinha por volta de 7 ou 8 anos, eu morava em uma cidade do interior e toda a família de minha mãe também. Meu pai é natural da capital do estado.
Nessa casa, morávamos ao lado de um tio com sua esposa e meus dois primos, um casal. Meu primo sempre foi meio precoce e foi um daqueles meninos que se ligou rápido a sua sexualidade e ele querendo sentir isso, veio me procurar por sermos muito próximos.
Não lembro bem como a primeira coisa aconteceu, mas lembro que foi no quintal de minha casa. Meu primo costumava passar as tardes lá e um dia quando meus pais saíram e a empregada estava cuidando de algo fomos brincar lá atrás. Lá ele me fez a proposta de uma 'brincadeira', como se fazia nas novelas e eu topei.
Lembro que não fiquei me sentindo incomodado, apesar de achar estranho ele querer fazer essa 'bricadeira' de beijo comigo. Tive medo que alguém chegasse porque eu saberia que seria um terror, apesar de ser inocente e achar que não tinha nada demais aquilo. Àquela época, eu ainda não entendia a definição de gay, portanto ainda não achava que eu era um, mas sabia que tinha algo diferente, pois todos os coleguinhas da escola tinham uma namoradinha e eu não achava nada nas meninas do colégio, mas tão pouco achava nada nos meninos.
Quando eu beijei meu primo, foi beijo de criança, selinho. O coração disparou e eu senti algo diferente.
Queria todo dia fazer aquilo, o que praticamente aconteceu. Dos beijos começamos a nos encostar, apenas fazendo pressão do corpo de um contra o outro e depois de um tempo, começamos a descobrir juntos nossa genitália. Mostrávamos um para o outro, tocávamos e encostávamos uma na outra, mas não passava disso. Acho que nem ele, muito mais precoce que eu, tinha noção de sexo.
O tempo passou, me mudei dessa casa mas nunca perdi o contato com meu primo, que hoje em dia é um grandfe amigo. Crescemos e fomos nos descobrindo mais.
Uma de minhas primeiras experiências sexuais foi com ele. Sempre tivemos uma 'relação' desde 7-8 anos até por volta dos 20 anos mais ou menos.
Nunca nos vimos como namorados, mas sempre como amigos. Nunca cobramos ciúmes um do outro até porque ele sempre teve relações com mulheres.
Um dia num flagra de minha mãe (conto em outra história) foi o dia que paramos de fazer, mas nesse meio tempo ele sempre teve namoradas, foi noivo e hoje em dia é casado com uma mulher muito gente boa e tem um filho fofíssimo.
Ele continua sendo um grande amigo, mas sua experiência sexual com homens resumiu-se a adolescencia.
O que acho mais bonito em meu primo é que ele não nega o passado, não faz de conta que anda aconteceu, ou se afastou de mim.
Moramos longe, mas sempre que nos vemos ele faz questão de lembrar todas as coisas que aprontamos juntos, as vezes que quase nos flagraram e a vez que sim, os amigos dele que ele me paresentou e eu fiquei depois. Sempre pergunta como vai meu coração, se estou de namorado, se estou feliz.
Ele tem um respeito muito grande pelo o que aprendemos juntos. Isso é minha maior admiração por ele com quem eu tive uma das coisas mais importantes: meu primeiro beijo de criança.





